Este é um livro que fala de amor. De amor por Caruaru.
Como não amar essa luz leitosa das manhãs chegantes, que brinca de escorregar pelas encostas do monte Bom Jesus e que mansamente inunda a cidade com uma luz boa, amornada, que pinta as casas de paz amanhecedora e a alma de todos de uma leveza pronta pra voar?
Como não amar os mestres incorpóreos do Moura dominando a arte da terra, da água, do fogo, e do ar, domando os elementos, dando forma ao barro e o fazendo respirar para mostrar que a cultura de um povo preenche o tempo e o espaço de tudo aquilo que não morre nunca?
Como não amar o bairrismo do caruaruense que transformou a cidade em um país? E ai daquele que duvidar dessa verdade inconteste.
Como não amar o pó, o cisco, a poeira levantada pelo turbilhão de pés arrastados entre os bancos da feira de Caruaru? A feira de Onildo e Gonzaga, Babel de todas as vozes gritadas, Orion constelada no chapéu de lampião, é o gibão do vaqueiro, quando monta altaneiro, o seu cavalo campeiro, nos vazios do sertão.
Como não amar um rio que teima em não ser esquecido, que luta para não morrer envenenado pela omissão dos homens, pela ambição dos homens?
Como não amar as noites frias de junho, quando a alegria é do tamanho do mundo?
Como não amar Caruaru?
É disso que se trata esse livro.
É um livro de amor.
Carlos Paiva nasceu em 1953 na cidade de Recife. Formou-se em ciências contábeis pela UFPE e sua vida profissional foi centrada no SEBRAE-Pernambuco no qual atuou por mais de duas décadas nas cidades do Recife, Garanhuns e Caruaru. Em 2000 foi eleito o executivo do ano pela associação comercial de Caruaru. Em 2003 recebeu o prêmio Raimundo Ferreira de empreendedorismo e em 2009 foi paraninfo das turmas da escola técnica do SENAI no município. Reside em Caruaru e se dedica à literatura.
Autor do livro “O Rio – A Cidade – O Tempo – O Mundo” e da graphic novel “O Rio Esquecido”.




